Dra Carolina Lima Psiquiatra

Skin Picking — quando o ato de cutucar a pele se torna um transtorno

O hábito de cutucar a pele pode parecer algo simples ou até comum em algumas situações.

No entanto, quando esse comportamento se torna repetitivo, difícil de controlar e passa a causar lesões, estamos diante de um quadro psiquiátrico conhecido como Skin picking.
Trata-se de um transtorno ainda pouco reconhecido, mas que pode gerar sofrimento significativo e impacto emocional.

O que é esse transtorno

O skin picking, também chamado de transtorno de escoriação, é caracterizado pelo impulso recorrente de manipular a própria pele — apertar, cutucar, arranhar ou remover pequenas irregularidades, muitas vezes sem uma necessidade real.
Esse comportamento costuma afetar regiões como: rosto, braços, costas, couro cabeludo, pernas.
Um ponto importante é que, frequentemente, a pessoa tenta interromper o comportamento, mas não consegue.
Mais do que um hábito, ele é um transtorno reconhecido e classificado dentro dos transtornos relacionados ao espectro obsessivo-compulsivo.
Isso significa que não se trata de “falta de controle” ou “mania”, mas de um comportamento com base neurobiológica e psicológica.

Como o comportamento acontece?

O padrão costuma seguir um ciclo:

1. Tensão, ansiedade ou desconforto interno
2. Impulso de mexer na pele
3. Execução do comportamento (cutucar, apertar, etc.)
4. Alívio momentâneo
5. Culpa, vergonha ou frustração

E, com o tempo, o ciclo se repete.
Em muitos casos, o comportamento pode ocorrer de forma automática, sem que a pessoa perceba, por exemplo, enquanto assiste TV, estuda ou está distraída.

Ele pode ser desencadeado ou intensificado por:
• Ansiedade
• Estresse
• Tédio
• Perfeccionismo
• Busca por “imperfeições” na pele
• Estados emocionais difíceis

As consequências vão além da pele.

Impactos físicos:
• Feridas recorrentes
• Cicatrizes
• Infecções
• Inflamações cutâneas

Impactos emocionais:
• Vergonha
• Culpa
• Baixa autoestima
• Evitação social
• Dificuldade em se expor (ex: sem maquiagem, roupas que mostram a pele)

Nem todo ato de mexer na pele configura um transtorno.

O diagnóstico de skin picking envolve:
• Comportamento frequente e recorrente
• Dificuldade de controlar o impulso
• Presença de lesões
• Sofrimento emocional significativo
• Impacto na rotina

O tratamento medicamentoso é possível e costuma trazer bons resultados, principalmente quando associado à psicoterapia.

O skin picking é um transtorno real e, com o tratamento adequado, é possível reduzir significativamente o comportamento e recuperar o bem-estar emocional e a autoestima.

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